O ano era 1500,o mês era abril. Uma frota com pouco mais de uma dezena de caravelas chegam ao que hoje é o estado da Bahia dando início ao que seria o Brasil. A história de descoberta do Brasil é sabida da maioria dos brasileiros e portugueses que frequentaram a escola na infância e adolescência. Mesmo que o básico.
O líder da frota era o fidalgo e militar português Pedro Álvares Cabral ainda na casa dos 30 e poucos anos. As impressões inicias de europeus com índios foi pacífica na maioria dos documentos daquela época, principalmente a Carta de Pero Vaz de Caminha. Esse documento, sendo considerado uma 'certidão de nascimento' do Brasil por historiadores como Darcy Ribeiro, importante educador.
Mas vamos entender como o Novo Mundo representado por aqueles gentios depois chamados de índios mudaria para sempre a história.
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| Xilogravura de 1557 retratando um ritual de canibalismo dos índios tupinambás |
Contexto
A chegada dos portugueses no Brasil faz parte do período no qual os europeus se fixam no continente americano de modo definitivo para expandir seus territórios além de buscar mais riquezas e espalhar a fé cristã-abalada pela Reforma Protestante. A ideia de Novo Mundo muito difundida naquela época vem justamente do fato de que aquele continente com aquelas pessoas, os índios como sabemos hoje,era desconhecido e estranho.
A palavra exótico até hoje descreve os índios com seus penachos na cabeça,cocares e enfeites pessoais que os europeus jamais haviam visto antes. Fenômeno igual aconteceria no México e Peru com a conquista espanhola embora muito mais sangrenta a curto prazo. Era comum naquela época a representação dos hábitos mais estranhos como o canibalismo ritual,a nudez naturalizada ou a poligamia por exemplo.O canibalismo era uma prática comum entre os índios da época e não era realizado por questões alimentares. O nome técnico é conhecido como antropofagia pois a carne humana somente é consumida após longo ritual que poderia levar anos para acontecer (figura acima).
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| Arte Rupestre dos primeiros habitantes do Brasil realizadas no Parque Nacional Serra da Capivara no Nordeste |
O aventureiro alemão Hans Staden esteve no Brasil por 9 meses como prisioneiro dos índios tupinambás aguardando sua morte.Devido a seu medo e súplicas incessantes de libertação foi considerado indigno de ser devorado e foi libertado. Assim ao voltar para a Europa ,escreve o livro Viagem ao Brasil contando suas aventuras e as tradições que presenciara .O olhar do europeu da época observava o índio como uma parte da paisagem , um 'animal' em alguns casos já que eram descritos como selvagens.
A Cia de Jesus criada por Santo Ignácio de Loyola foi uma das instituições mais importantes da época. Era ela a responsável pela educação dos índios com o objetivo de trazer ''civilização'' àqueles homens e mulheres selvagens. A Igreja Católica preocupada com o avanço da Reforma resolve investir em evangelização além-mar nas terras recém-descobertas da América. Vai ser contra, inclusive , a escravização dos índios. Assim os jesuítas, os padres da Cia de Jesus como eram conhecidos, converteriam e adaptariam ao máximo os índios à cultura europeia fazendo-os abdicarem de seus costumes e religião considerados pagãos e bárbaros. Abaixo vemos uma pintura muito famosa mostrando o contato entre índios e a frota portuguesa de Cabral.

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